Refém da opinião externa … alguém, qualquer alguém. Como é estar com as pessoas, e se sentir sempre duvidando do que as pessoas sentem por mim? Tensa com o que estão pensando ou achando de mim? 

Com dúvida se as pessoas gostam de mim só porque eu faço tudo para agradar.

Se a conduta é esta, mora em mim a certeza que: o que eu faço não é bom o suficiente e não estou no meu melhor.

Quando identifico esta crença ” meu valor está no que ofereço e faço, mesmo sem checar se vai me agradar” assim não tenho como relaxar no meu valor, e com esta postura não tem muita verdade. 

Quando me vejo refém da opinião externa e só consigo me sentir validada com a aprovação de alguém, estou desconectada daquilo que sou e do que tenho de verdade a oferecer.

É o medo de desagradar, que me faz estar através e refém de alguém.

Se me válido através de alguém, não estou na minha base, estou no vácuo, não estou no meu melhor lugar em mim. Como uma Flor sem poder exalar seu perfume. 

O medo de desagradar, me faz estar através e refém do outro.

Lembro me quando estudava co dependência e já havia tomado consciência da barganha nas ações, mas ainda nem imaginava que minhas ações estavam tão embasadas na carência e na inferioridade, custei a desvendar as barganhas, aos poucos pude observar quanta concessão eu fazia em nome de ser aceita e amada. 
Lógico nesta base não dá mesmo para ser aceita.

Até porque não tem atalho, se eu não me aceito, não vibro aceitação… não serei aceita, um pouco talvez sim, mas bem pouco… tipo assim … migalhas de aceitação. 

Posso ficar neste pouco, ou voltar-me para mim e ir na própria aceitação. 

Mas como ? Identificando a crença. 

A minha como mencionei: meu valor estava naquilo que oferecia e em fazer, fazer, fazer…

Mas afinal se não fizer e oferecer tanto, quem gostaria de mim ? 

Na crença instalada, ninguém gostaria de mim. Nem eu mesma. 

Aprofundando meu estudo sobre mim percebi que tão identificada com o eu idealizado, não tenho como ser verdadeira, e assim seguia o que dizia a crença. (Lembrando que eu idealizado é aquele eu que criei para ser perfeita e se fosse perfeita seria aceita, a partir do que imagino que as pessoas esperam de mim).

O que dizia a crença ? 

A crença dizia ofereça, faça tudo o que esperam de você. Suponha, adivinhe, mas atenda a expectativa do outro.  Mesmo que isto não coincida com que diz seu coração. 

Quando fui me dando conta disto, pude observar me e perceber que pouco do que eu fazia era isento de intenções. 

Fui percebendo que sempre tinha intenção de obter algo, ainda que um olhar.

Me vestia de acordo com o lugar que eu iria, e as pessoas que lá estavam, comprei tanta roupa porque era diferente e traria a atenção das pessoas. Me peguei tirando fotos, quando ainda não tinham celulares, e as fotos eram reveladas, só para mostrar onde eu estive. Se em coisas corriqueiras do dia a dia era assim, nem preciso mencionar demanda de alma, nem sabia que existia. 

Lembro me de um acontecimento: tempos depois que me separei no primeiro casamento, comprei minha casa, no modo ralar muito porque a crença era que, tinha que ser com muito esforço e assim não me sentia tão culpada por ter algo que sempre quis e quando deu um respiro iria trocar o carro. 

Quando pensava qual carro compraria, sentia que poderia ser um palio, estava sendo lançado este modelo, mas minha mente dizia – Ah não ! Quero um carro mais legal. 

Percebia que não achava que palio era um carro ruim, um amigo meu tinha e eu gostava. Lembro de me questionar mas que carro eu quero então, já que me interessava por um que alguém em mim não concordava, e pensava em um carro mais marcante. Foi quando um dia me percebi pensando eu chegando em algum lugar com um carro mais legal e isto me dava um senso de valor e importância. A crença era que valeria mais aos olhos das pessoas que me vissem com um carro mais bacana. Não resisti comprei o carro mais bacana. E por um tempo me senti bacana 😎 . Também como quando me sentia bem com alguma roupa bacana que usei, ou pude comprar. 

Na aparência e no comportamento as sensações se misturavam, mas era como uma camada externa bem fina e frágil, e se mergulhasse bem pouco na sensação,  logo daria de frente com uma sensação desagradável de inferioridade e não merecimento, vergonha do que era. Sensações que me tomavam mas nem sabia, e isto trazia para fora algo que se refletia mais dentro, a vergonha de mim mesma, por não ser o que idealizava. 

Muito identificada com a comparação e competição, desvalorizava o que eu não era… o nome disto: inveja. Mas inveja era um departamento não visitado e bem guardado, no mesmo departamento do egoísmo. 

De qualquer forma precisava fazer qualquer coisa para ser aceita. 

E no “leme do barco” o eu idealizado . 

Coerência entre pensamento, palavra e ação.

Ao ouvir esta frase numa música, ela me tocou profundamente o coração foi quando me dei conta que estava incoerente, e que tinham algumas mentiras. 

Observei que a muitas vezes não estava sendo muito honesta porque o que sentia não estava alinhado com que pensava e como era a minha ação, me observando, porque dizia o que não sentia e pensava? sempre era na esperança de ser aceita . 

Ainda buscando fora. Se alguém me aceitasse então estava ok. 

Assim foi por muito tempo, até que aos poucos fui compreendendo porque não conseguia relaxar com as pessoas, sempre tinha um ponto de tensão ou identificava que ao me afastar das pessoas eu me julgava pelo que fiz ou falei, e me torturava, afinal para o eu idealizado nada está bom o suficiente. E porque se não conseguia validar o que sentia, para ser aceita, estava mentindo…. mas muitas vezes tentando mentir pra mim mesma. 

Me encontrava neste vácuo dentro de mim. 

Mas isto sempre foi tão assim, que me parecia ser a única opção,  eu nem sabia identificar muito bem o que sentia.  

Identificando o sentir. 

Li um livro que falava sobre estar na presença, juntando com o observador que ouvi falar quando aprendi meditação, e a conexão com as sensações no corpo pude ter uma abertura na honestidade. 

Dai precisei coragem para olhar para o medo de não ser aceita como eu era. 

E posso dizer o “babado é forte” 

Não tinha nenhuma referencia concreta de aceitação, eu estando a meu favor. Eu a meu favor só conhecia mesmo em teoria, nas palestras que ouvia. 

Paguei para ver, mas paguei em suaves prestações, porque precisei de tempo para migrar 

de: alguém me aceite a qualquer preço, faço qualquer coisa…

para: eu me aceito em qualquer situação. 

Sempre a roda girou com meu poder e minha energia estando no outro, porque se dependo tanto da aprovação, do olhar e da validação de alguém minha conexão com que sinto não está feita e meu poder está na mão de quem dependo. 

Lembro me que quando estava neste ponto me vi tão identificada com a fazedora, agradadora que estava sempre oferecendo algo, que me paralisei.

Precisei parar a engrenagem para poder ouvir novos sons. Que são os sons com novos tons, que começam a entoar na música da honestidade. 

Enfrentar o medo de ficar sozinha. 

Aquele tom que vibrava estava embasado na crença, que era uma certeza absoluta, que as pessoas só gostavam de mim por tudo que eu fazia e oferecia para agrada-las. 

Mas muitas vezes nesta escravidão nem percebia o que me desagradava, algum desconforto eu tinha e comecei perceber.  Me sentia revoltada às vezes por tanto que me dedicava e não era reconhecida, mas logo ia para justificativa em defesa do possível alimento da minha carência… o outro. 

Eu acabava defendendo e justificando as atitudes que não me agradavam, afinal eu sobrevivia através deste outro, assim não poderia me desagradar dele. Fui compreendendo estou fora de mim o tempo todo. 

Esperando de alguém algo que não me dou. 

Ao identificar isto, tive um fluxo de lucidez e parei. 

Em todas minhas ações me questionava – quem em mim quer fazer isto ou aquilo? 

Muitas vezes não tinha a menor regerencia se o que vinha era do coração ou da mente carente. 

Neste momento me dava o direito de não fazer nada. 

Tem uma frase na Constelação que muito me serve : 

“Toma teu Tempo” e o relógio interno mudava a rota. 

Ao identificar o que sentia, seguia, mas duvidando muito, afinal, não me sentia no direito de saber de mim. 

Muitas vezes tinha dúvida se era mesmo o que sentia ou se estava mascarado de algum aspecto do ego embasado na criança carente, ferida, birrenta, defendida. 

Coragem para testar, e checar. 

Se vem do coração dá um conforto, e se não é do coração logo percebia porque me julgava, me criticava, me preocupava com o que alguém pensaria do que fiz, falei, ou como agi. 

Da criança internalizada agindo, vem tensão 

Da adulta observando, vem conexão com o aprendizado e compreensão. 

A confiança foi crescendo e fui percebendo se estava na minha criança: temia, e se estava na minha adulta: aprendia. 

No aprender tem o crescer .

Crescer em mim.

Comecei fortalecer minha sensibilidade para identificar o sentir, começou a distanciar dos padrões infantis, que tinha que ser boazinha, educada, simpática, para ser aceita. E neste aspecto já era difícil pra mim porque nunca me senti assim. Sempre me sentia como dizia o ditado “da pá virada”.

Me dei conta que muitas vezes não agradarei, mas mesmo assim ficaria do meu lado, me apoiaria, sentindo e validando o que sentia. 
Fui aprendendo que eu sou minha melhor amiga, eu sou minha melhor parceira 👭.

Num primeiro momento sentia como se estivesse brigando com alguém, como assim que posso não agradar !?

Logo compreendi : eu estar a meu favor, para o que for possível por agora. 

Não é ser conivente com minha sombra. Mas olhar para ela com curiosidade e carinho, afinal ela existe e tem uma razão de ser, mas está na hora de colocar luz nesta escuridão. 

Sem justificar só identificar e clarear. 

Fui aprendendo, estar a meu favor me acolher, e me aceitar e com carinho me corrigir sempre que necessário. 

Como em outra música que ouvi : “os defeitos são efeitos especiais”.

Assim posso mudar e integrar aspectos que ainda estão na sombra. 

Um pacto que precisei fazer comigo. 

Da adulta que sou: – Eu em primeiro lugar. 

Para isto foi necessário ir além do que aprendi, porque em mim isto estava colado com egoísmo, e ao que aprendi egoísmo era do mal, negativo e pejorativo. E pra estar bem na “foto” não pode ser egoista. 

Para não ser egoista eu concedia. Concedi muitas coisas na esperança de receber concessão também. Jogo e manipulação a serviço da máscara. Tudo para não ser egoísta.  

Se pensar atentamente sobre isto, a equação fica simples. 

Se sou legal com alguém porque quero que a pessoa goste de mim, então, não estou sendo legal, porque não estou querendo saber da pessoa, e sim quero que ela goste de mim…. isto é egoísmo. A qualquer custo quero que goste de mim.

Aos poucos fui achando que eu em primeiro lugar não tem a ver com egoísmo e sim com confiabilidade, porque se dou conta de mim, eu valido e respeito o que sinto e não preciso barganhar nem mendigar. 

E se eu gosto de mim, não estou refém do gostar de alguém, sem barganha pode acontecer o transbordar.

Só posso dar o que tenho. 

Quando fiz o curso de meditação transcendental, num dos retiros, numa palestra, mostraram uma imagem com duas taças uma em cima da outra, e a explicação era : se sua taça estiver cheia e você der um pouco para outra taça, ficará faltando. Mas se sua taça estiver transbordando você terá o que dar. 

Isto me chamou bastante atenção, me pareceu bem coerente. 

Na adulta vou para o aprendizado. Se sinto que uma nota da música destoou. Volto e entro no tom. E o tom é o aprendizado.
Me prendo…. aprendo…. desprendo…. assim posso fluir 

Lógico trata-se de um exercício com base na auto investigação e auto observação abrindo caminho para auto responsabilidade, que fica possível quando me pergunto quem em mim esta refém de alguém a me aceitar e me aprovar. 

Eu sou a única possibilidade de reconhecer o que sinto. 

Com isto uma abertura se faz necessária, porque no fluxo da existência os aprendizados e sinais nos chegam de várias fontes. Se eu me abrir, recebo as setas das pistas para onde seguir. 

E como um fluxo os aprendizados nos chegam 

É um exercício constante: se auto observar e perceber quando minha energia vai para fora. Imediatamente voltar para dentro.
Cultivo dentro e transbordo, podendo estar na honestidade de quem “estou” agora. 

E se não agradar a alguém posso suportar = dar suporte a mim. 

Aceitando, é o que tenho para o momento, estou a caminho do “suficiente é mais” para alcançar a alma com calma. 

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