Sabe aquela história do copo com um tanto de água, e cada um que olha diz como vê o copo, se é um copo vazio ou cheio.

Como é agradecer por tudo que tem e que viveu?
Quando ouvia isto, e também que tem que dar graças a Deus de tudo que tem, porque tem muita gente que não tem nem isto, e era chamada para olhar para pessoas em pior situação do que a minha. Sentia um incômodo enorme, e ao mesmo tempo me sentia uma ingrata, porque minha vida até que não era ruim… também não era tão boa!
Mas como eu poderia achar isto?
E dá lhe culpa.

Por mais que tentasse usar recursos para acessar este reconhecimento e agradecimento, eu não sentia.
Não me sentia grata, mesmo sabendo que isto seria o “certo” optei pela honestidade. Ser honesta era aceitar que não estava grata.
Era isto naquele momento.
E por aí fui, observando o que realmente sentia, o fato era que não agradecia mesmo, porque tudo era muito diferente do que eu gostaria que fosse.
Nem sabia que tinha um sistema de crenças em mim mesma que mandava na minha vida, me sentia mesmo injustiçada e vítima, mas nem sabia de quem ou do que. O bom é que isto me movia para tentar ir além disto.
Como já mencionei antes eu fazia, fazia, fazia…. sempre me esforçava muito para dar o meu melhor, e para fazer certo. E fazendo sempre muito não achava certo eu não conseguir.
O que eu não sabia, é que não estava conectada com meu coração, quem estava no leme era a carência e o eu idealizado, para estes comandantes, nada está suficiente.

O foco estava na falta.
Li algo uma vez: quando crianças o que nos move é a falta. Na falta há uma motivação para conseguir, isto faz o roda girar, nos move, e assim seguimos, na falta me motivo para conseguir. Neste caso o foco é a falta. Então não existe o relaxamento no suficiente. Cresci seguindo este movimento. E neste movimento foram sendo formadas as crenças.
Outro aspecto que percebi, na minha infância com mamãe, éramos muito parecidas, perfeccionistas, então havia bastante fricção, sempre que eu fazia alguma coisa, não estava bom o suficiente, sempre faltava algo, ou tinha algo que não estava bom, e até que era errado o meu jeito. Eu era muito diferente do jeito que ela esperava. Fui acreditando que tinha algo errado comigo, estava faltando algo.
Assim me movia na vida. Tentando ser perfeita, como eu imaginava que mamãe era, e não conseguia, porque eu sou eu, e ela é ela.
Assim montei a crença (uma delas).
Falta algo em mim, então preciso fazer algo para suprir isto, mas me esforçava tanto, e vivia com a sensação tem que fazer mais. Nada estava suficiente.

Vivi na roda do : eu tenho que!
Focada na falta, e no eu tenho que… não dava muita energia para saber o que eu sentia, e o que eu sentia não importava muito mesmo, já que ainda faltava muito para ser “perfeita”.
Está obsessão pela perfeição abrangia várias áreas da minha vida.
Tinha que ser perfeita na escola, e não era !
Tinha que ser perfeita no trabalho, tinha que ter um corpo perfeito, e não tinha, tinha que ter um comportamento perfeito, uma vida financeira perfeita, um relacionamento perfeito.
Mas afinal o que é perfeito ?
Este foi um questionamento que em algum momento começou surgir, e mesmo sabendo que cada um é como é, a comparação logo vinha quando eu via alguém tendo ou sendo o que eu julgava melhor do que eu.
Mas qual era o parâmetro de melhor? Nem imaginava, mas não era o que eu era.
Bom logo fui convidada a dar uma olhadinha para a tal inveja… aquela tão criticada, julgada e menosprezada inveja.
Neste quesito lançaram até a inveja branca, isto significa que ter inveja não é nada invejável.
De formação evangélica, o que eu via: ninguém que eu conhecia tinha inveja, e sempre o “invejoso” era o cara do mal.
Bom, não queria ser invejosa. E me deliciava quando alguém tinha inveja de mim. E ao mesmo tempo temia a inveja dos “outros”
Até que um dia ouvindo uma palestra, no tempo da fita cassete, ele dizia: você fica aí falando que sua amiga é invejosa e blá blá blá, mas você gosta da inveja dela, sabe porque ?
Porque você se sente tão nada que se tem alguém com inveja de você, fica logo se sentindo menos mal, porque tem alguém menos que você.
Em algum lugar dentro de mim compreendi que era isto mesmo, mas em outro lugar senti vergonha.
Me deu um alívio que estava sozinha, mas como se me sentisse desmascarada.
Naquele exato momento comecei associar a sensação de incomodo que tinha com uma amiga “invejosa” de mim, e percebi exatamente o que ele disse na palestra.
Fiquei tão constrangida, mas fiquei de olho em mim mesma.
Não tive duas opções, precisei me assumir, foi aos poucos, primeiro assumi que gostava de ser invejada, isto diminuía minha sensação de inferioridade, aos poucos fui assumindo a inveja que sentia.
Doía.
Mas aos poucos fui entendendo como a tal inveja funcionava.
Aceitando aquela parte em mim que invejava, fui perdendo o medo da inveja das pessoas. Como negava em mim, me empoderava para criticar a inveja nas pessoas, distração, mas negada ficava forte, e também tinha o desejo, bem escondido, principalmente de mim mesma, do outro que tem, ou é o que almejo se dar mal. Era uma torcida escondida até de mim mesma, mas consciente ou não ela estava lá.

Muita calma nesta hora… e muita hora para chegar na calma !
Ao deparar com os detalhes da inveja, fui desbravando esta escuridão .
Por exemplo nesta época eu tinha um carro sem ar condicionado, porque com ar era significativamente mais caro, e eu não podia ter “este luxo” (crença). Trabalhava com massagem e ia na casa das pessoas para atende-las. Morando em Santo André, atendia em São Paulo, no verão aquele super calor sem ar condicionado, e tinha que fechar o vidro quando chegava no farol, prevenindo assaltos. Resultado, cozinhava.

Observando a inveja
Comecei observar o que sentia quando parava ao meu lado um carro todo fechado e a pessoa impecável dentro, lógico tinha ar condicionado…. e eu lá encharcada de suor …. sentia inveja.
Também quando via uma pessoa que até trabalhava bastante, como eu fazia, mas que ganhava bastante dinheiro, eu ainda me justificava, pra mim mesma, mas também ela é …. qualquer coisa que a desabonasse, julgava e tentava diminuir a pessoa na minha cabeça, na esperança de não me sentir tão menos.
Fui podendo ver tantos aspectos de inveja. E fui até ficando íntima com ela, e papeando com minha própria inveja um dia percebi que ela era focada na falta.
Sim, o que eu julgava que me faltava, era exatamente o que eu invejava. Mas assim perdia a oportunidade de ver a parte que eu tinha.
Foi num fim de tarde início de noite, ainda hoje gosto de já estar em casa neste momento, estava em casa e vivia um momento de trânsito de profissão que não estava muito feliz e realizada, sem muita satisfação no que fazia e lembrei que meu namorado, daquele momento, estava saindo do trabalho e ele vivia um momento de muita realização profissional, neste pensamento que passou pela minha mente, senti uma inveja dele estar feliz e realizado no trabalho, me incomodei um pouco porque sentir inveja já era ruim e do namorado, pior ainda, como se fosse duplamente errado. Mas me mantive na observação e vi o tamanho da incoerência, afinal onde ele trabalhava era bem longe e ele levava muito tempo para chegar, chegava super tarde e saia super cedo.
Vi como se fosse um desenho na minha mente, eram dois cenários:
Um a realização dele e a minha insatisfação,
O outro que mesmo em trânsito e insatisfeita era boa minha vida.
Foi quando me dei conta que a inveja é fragmentada, gosto de um pedacinho da vida do outro mais do que da minha.
Percebi que não queria a vida de outra pessoa, só queria mudar aquele aspecto da minha vida.
Assim foi também com as insatisfações com o corpo, percebia que tinham partes do meu corpo que eu não gostava mas não queria outro corpo.
Desta forma pude ampliar minha percepção das minhas invejas, e percebi também que tinha inveja de coisas que eu não era, ou que eu não tinha, e checando a importância, pude concluir que não tinha importância pra mim. Era só porque estava identificada com a falta.

Mudança no foco
Aos poucos o foco foi mudando, fui saindo da falta.
Neste mesmo período estava conversando com uma amiga ao telefone e reclamei de alguma coisa, me sentia vítima e reclamava, sem saber que as crenças me governavam, neste momento que estava reclamando, disse a ela : nem sei porque estou reclamando, porque quando estou lúcida vejo que tenho uma vida legal, tenho minha casa que sempre foi importante pra mim, faço meus cursos, verdade tudo com dificuldade, mas faço.
Neste momento disse lhe meu problema é que estou focada só no que falta.
Falando com ela sentei no sofá e comecei olhar meu entorno, e parece que comecei ver o que eu tinha.
Sem magia, porque sei que o desejo é que se assumir a inveja, não terei mais este sentimento, mas aos poucos fui observando as facetas desta parte em mim.
E juntando um insight aqui, outro ali, uma percepção aqui outra ali, aliado ao tempo, e a paciência consigo mesma, parte difícil. Porque eu idealizado no plantão exigindo perfeição. Só mesmo meditando e observando para ir desvendando o inconsciente e valorizando cada passo dado, cada consciência e valorizando como um bem adquirido para alma.
E a cada passo, mais um passo em harmonia com meu lugar
Uma ótima contribuição para isto também foi ir chegando no meu lugar na minha constelação familiar.
Quando ocupo meu lugar, fluo na vida com muito mais facilidade, estando onde devo estar não quero o lugar de ninguém, no meu lugar diminui a competição e a comparação.
Assim começa florecer 🌺 o agradecer 🙏

Suficientemente Siari

 

2 Replies to “Foco na falta”

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