Esta foto me remeteu a uma lembrança. Partes preciosas do caminho percorrido.

Desde muito cedo aprendi não confiar em mim, acreditei também que sempre estava errada.

Afinal eu era bem diferente do meio que vivia, e que acredito foi escolha minha.

Interpretei que por ser diferente estava errada, coisas da criança, e em meu sistema de crenças instalei : “se não sou igual, ou se não sou como querem que eu seja, estou errada.

Com esta sensação de “estou errada” por ser como eu sou, desenvolvi um perfeccionismo inatingível, um eu idealizado, que tombem me estimulou ir mais e mais atrás de ser “melhor”.

Mas, também desenvolvi uma grande desconexão do meu Ser.

Tentei incansáveis vezes me sentir pertencendo, sim, porque não me sentia incluída. 

Com esta sensação, fui me superando na observação, quase uma fiscal, do que agradava as pessoas no meu entorno, ou melhor,  desenvolvi um potencial de “imaginar” o que agradaria as pessoas. 

Na paralela desenvolvi também a observadora dentro de mim. Estava com o foco desviado, mas começou se manifestar. 

Digo foco desviado porque minha atenção estava fora de mim, demorou um tempinho até perceber isto, e mais um tempinho para redirecionar. 

Com isto desenvolvi também uma descrença no que eu sentia. Como se, o que eu sentisse não era adequado, assim me sentia inadequada permanentemente, e para suportar deste desconforto, desenvolvi uma máscara de super sabida e muito fazedora. 

Uma exaustão! 

Tinha que saber de tudo o tempo todo, estar sempre bem, dar conta de tudo e de todos, tinha que estar sempre “a postos” e precisava o tempo todo me reafirmar, tentar convencer, defender meu ponto de vista, e ter uma confirmação externa. 

Se alguma aprovação externa viesse, imediatamente aceitava a esmola, me sentia um pouco convencida que estava ok aquilo que estava sentindo. 

Este conforto passava logo, afinal a fonte estava fora de mim. 

E eu estava refém de alguém.

Como se dentro de mim sempre houvesse uma dúvida, de mim mesma, do que sentia, do que fazia, e um tirano interno a me acusar de minhas ações, sem pausa. 

Neste lugar nada era suficiente, certo ou razoável. 

Esta dúvida me trazia uma escravidão, este círculo vicioso estava estabelecido, estava refém do orgulho. 

Presa na inferioridade, e por compensação, atuando na superioridade, lógico tinha também uma máscara que disfarçava a superioridade. 

Afinal ninguém quer ser arrogante… mesmo sendo. 

Nesta ilusão, sempre o arrogante é o outro. 

Somos todos muito fofos, humildes e vítimas né ?!

Quando menciono inferioridade, trata se de que,  em algum lugar dentro de mim sabia que eu não sentia o que eu demonstrava, 

O que também dá a sensação de inferioridade, não é nada muito trágico, o fato de eu não ser respeitada em minhas diferenças, em minhas demandas, me fez interpretar que eu não era boa suficiente para ser merecedora de ser respeitada, cada vez que tentava mostrar o que sentia para ser aceita, e incessantemente tentei, e não conseguir, reforçava meu conceito que eu não era boa suficiente para merecer ser considerada, aceita e respeitada. 

Comecei acreditar que por mais que me esforçasse isto não aconteceria, mas não poderia desistir, afinal acreditava nisto como um fator indispensável para estar bem e para minha felicidade. 

Com isto a crença está estabelecida, e só pude mudá-la quando em auto investigações, grupos, terapias, as reconheci. Reconhecendo os padrões de crenças, pude trabalhá-los  e as crenças serem transformadas, e com isto aprender um nova forma de estar na vida .

Também preciso mencionar algumas fidelidades ancestrais onde me mantive, e os campos mórficos que foram associados e mantidos  às crenças que construí a partir disto. 

Somos um sistema, cada corpo tem um sistema próprio, estou construída a partir de minhas interpretações dos fatos que vivenciei, e fazemos parte de um sistema familiar, e está tudo associado. 

Só eu posso reconhecer minhas prisões e escolher,  

aprender, reaprender  e seguir a partir de minhas escolhas. 

A cada momento posso fazer novas escolhas e colocá-las em prática. 

E ressignificar minhas interpretações, afinal quando criança não tinha mesmo condição de perceber que se tratavam de caminhos necessários para estar onde estou hoje. 

Neste trajeto de reconhecer as crenças e os emaranhados, tive muitos auxílios. 

Tinha uma época que eu brincava e dizia :

Deus cismou comigo e decidiu que eu precisaria confiar e assim, colocou muitas sincronicidades para eu poder treinar a confiança. 

Esta foto foi um dia num trabalho Xamânico que participava na floresta Amazônica e o fiz por muitos anos, estava na floresta e cantávamos  hinos, e eu estava muito introspectiva, de olhos fechados e me sentindo em dúvida se eu poderia estar de olhos fechados, quieta, sem cantar, porque a orientação era cantar. 

Nesta oscilação, seguir o que sentia que era ficar quieta, ou cantar porque a orientação do trabalho era cantar. 

Numa fração de segundo relaxei em ficar quieta. 

E a próxima frase do hino era “o Sol raiou, iluminou, divino Deus com seu resplendor”…

Neste exato momento um clarão bateu em meu rosto e meu coração sorriu.

Mas ainda precisei conferir, abri meu olho e vi numa fresta das árvores o raio de Sol.

Foi como uma voz da natureza a falar com minha natureza.

Minha máquina fotográfica estava na mesa a minha frente, e mesmo num choro transbordante de emoção, como se estivesse tendo uma confirmação dos conflitos que estava vivendo internamente, fotografei este momento.

Afinal estava ali a observar será que posso ficar aqui silenciosa? 

E com os olhos fechados numa fração de segundo, na hora exata da frase do hino o Sol tocou em minha face. Senti como se fosse uma confirmação. 

Sim siga o que sente. 

Muitas vezes em minhas dúvidas olhava esta foto como se pudesse me relembrar, você já esta podendo confiar no que sente.

Mesmo que eu sempre esteja disposta e fazer uma revisão nas minhas ações, crenças e o papo da minha mente muitas vezes viciada, afinal o ego, o eu idealizado são muito astutos. Sempre estou disposta a checar se vem do coração ou da mente, mas é preciso validar o que vem do coração, mesmo que por muitas vezes seja trabalhoso porque envolve mudanças de atitudes e as vezes envolve outras pessoas, e poderá não ser aceita, mas é um preço que necessitará ser pago, se quiser alguma plenitude e amor próprio.  

Isto também não significa que não considerarei ninguém, e infantil farei só o que quero, mas significa que por vezes não poderei trair o chamado do meu coração. 

E ouvi uma vez, faz muito tempo, algo que me fez refletir:

“não é nada contra você, é a meu favor”. 

Lembro-me que quando ouvia isto achava um egoísmo a pessoa agir assim, e hoje posso reconhecer a lucidez desta atitude. 

Mas o tempo passa, e nos sinaliza.

Assim como o Sol, a natureza, as pessoas, e se quisermos aprender, podemos apreender muitos aprendizados.

A cada momento posso tomar minha vida como minha e seguir em frente a partir das minhas escolhas conscientes, num ciclo de aprender, reaprender e fluir. 

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